Memória & esquecimento

24 jan

Ter uma boa memória não é, necessariamente, não esquecer de nada nunca! É lembrar o que deve ser lembrado. Concordo com Galeano, quando ele fala que a memória sabe o que deve ser guardado.

Nada contra terapia, muito pelo contrário, mas ficar recordando de coisas que não lembro, ou não quero lembrar, não é minha praia.

Quer ter as boas lembranças daquela viagem que às vezes parecia que só tinha dado merda, quer ter boas lembranças daquele ano que passei estudando pro vestibular e não entrei no curso que eu queria, quero ter boas lembranças daquele cara que me fez chorar por dias a fio. Quero ter boas lembranças da tentativa fail de fazer uma comida diferente, do porre que eu tomei e paguei o maior mico, quero apenas as coisas boas.

Para as coisas ruins, que inevitavelmente não esquecemos, deixo que minha memória se encarregue de selecionar o que vale a pena sofrer ainda, chorar, ou me chatear.

Existem várias publicações, das mais diversas áreas, que falam desse assunto, memória, lembrança e esquecimento. Eu, como uma historiadora exemplar (jura!!) li alguns, até porque, minhas pesquisas sempre flertaram muito com a memória e o esquecimento, mas por já trabalhar com coisas complexas, nunca aprofundei o assunto. Enfim, a memória é seletiva (graças a deus, ou ao corpo humano mesmo!!). Lembramos, ou nos fazemos lembrar do que importa, do que nos interessa e do que nos faz felizes, daquelas coisas que nos fazem dar sentido as coisas. Até porque ninguém guarda “souvenirs” de algum lugar que odiou.

A memória serve para lembrar e para esquecer. Esquecer aquilo que não nos faz falta e lembrar daquilo que nos fazem seguir em frente, lembramos do que nos dá identidade, do que nos identifica.

Adoro relembrar alguns bons momentos que vivi, mas inevitavelmente lembro de ruins, mas são os ruins que me fazem perceber que cresci, que segui, que mudei ou que tenho que mudar ainda.

A memória também nos sacaneia, nos dá rasteiras e mexe conosco, lá no inconsciente, fazendo sonharmos com o que/quem não queremos. Ah, a memória, algo tão complexo ainda, que precisa de tantos estudos, que ninguém consegue compreender direito.

Mas é ela que nos faz sorrir sozinhos, chorar, nos emocionarmos. Só ela é capaz de registrar os melhores (e piores) momentos de nossa vida, as frases mais lindas que já ouvimos, as coisas mais lindas que já vimos e as melhores sensações que já tivemos. E é ela também que nos faz esquecer coisas que sofremos, pessoas que nos magoaram e problemas que vivemos.

Não se prenda em lembrar do que não importa tanto, o esquecimento faz parte da vida.

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