Archive | junho, 2013

E agora José?

22 jun

E agora?
A festa acabou e o pau tá comendo.
E agora?
Pra que lado eu corro? De quem eu me defendo?
E agora?
E agora?Fodeu. Corre. Pra onde? Não sei também.
E agora? Agora já era.
Agora ninguém mais sabe de nada, o povo grita calado, pois o povo não tá dizendo mais nada. Diz que tá reclamando de tudo mas não no fundo não tão lutando por nada.
Depois de presenciar duas passeatas e estar pronta para ir pra terceira, depois de ler muitas e muitas coisas, de associar tudo e me sentir louca, depois de conversar com diferentes pessoas e, por fim, ouvir relatos, to perdida. Não sei para onde eu corro na hora do quebra pau.
É isso, o Brasil tá caótico, virou terra sem lei. Opa, perai. Vamos retroceder…
Ontem, 20 de junho de 2013 Porto Alegre parou às 17hr da tarde por causa de uma manifestação pacifica. Abaixo de chuva, muita gente na rua, lindo… Porém, depredação, anarquismo, também… para deslegitimar tudo, para instaurar o medo e fazer todo mundo pensar que os manifestantes são vândalos… Não vou entrar no mérito da questão.
Mas, estando lá e ouvindo quatro depoimentos de outras pessoas que estavam, só penso uma coisa: virou caos, fodeu.
E daí eu te pergunto: pra onde se corre?
E agora José?
A festa acabou.

manifesto – manifestar – manifestação

13 jun

Realmente não sei qual a origem de manifesto, manifestação, manifestar-se e sinceramente não me importo muito com isso… Mas acredito nesta ação coletiva que leva milhares de pessoas às ruas em prol da mesma causa.

Não concordo com rebeliões, quebra-quebras e violências. Sou contra todo e qualquer tipo de coisa que envolva violência, depredação e destruição do patrimônio público, até porque, somos nós mesmos que teremos que pagar o estrago. Enfim… Mas, em contra partida, não acredito que manifestações pacíficas cheguem a algum resultado. Pode até durar muito tempo, mas de algum lado sempre haverá algum tipo de repressão que resultará em violência, infelizmente.

De qualquer forma, conforme falou Manuel Castells, as manifestações, quando partem para a violência, perdem um tanto de sua credibilidade, ou razão, mas sempre resulta nisso, de qualquer forma. Outro ponto interessantíssimo que ele apresentou foi sobre como começa uma manifestação, que vem de uma inquietação pessoal mas que se torna coletiva, pois é de interesse comum de várias pessoas. Foram tantas outras coisas interessantes que ele disse, como o fato da riquíssima troca cultural e social que há durante as manifestações, e que, quando não há envolvimento político, é algo organizado pelo coletivo, ou seja, não há UM líder, mas sim todos que se envolveram, que divulgaram e participaram se sentem liderando numa forma corporativa e isso torna a manifestação ainda mais bela e pura.

Concordando com praticamente tudo, sobretudo na parte de ser contra a violência e depredações e achar realmente linda a troca cultural que há, penso que hoje a maioria das manifestações são de interesses políticos e quem participa não são as pessoas que realmente precisam da mudança (ex. preço das passagens de ônibus!! os trabalhadores realmente humildes não estavam lá). Honestamente, eu gostaria de ser mais ativa nisso, em Porto Alegre, mas não posso me dar ao luxo de ficar a noite no frio e na chuva manifestando sendo que no outro dia cedo trabalho, não posso correr o risco de ficar doente. Pode parecer besta isso, mas é sério. E as manifestações que começam as 17hrs?! Gente, me desculpem os ativos nas causas, mas quem trabalha, antes das 19hrs é impossível fazer qualquer coisa.

Pois é, mas ainda acho que a melhor forma de reivindicar é manifestando-se, mas teria como ser de uma forma mais pacífica? Não lembro de alguma que tenha tido um resultado positivo e que não tenha resultado em mortos, feridos, presos, depredações e muros pichados (apesar de eu ser completamente contra, me lembrar do que fizeram nos anos de ditadura militar me faz amar uma bela pichação como “ABAIXO A DITADURA”). Okay, okay… Voltando aos anos em que eu já era nascida e presenciei. Os caras pintados, acredito eu, foi a última manifestação dos jovens brasileiros que teve resultado. Na verdade, acho que foi a única vez que eu vi o povo brasileiro lutando por algo. Hoje, muito se fala, mas pouco se faz. Pouco se sai de trás da mesa do computador, do ar condicionado da casa dos pais ou do boteco da moda. Muito se discute, muito se reclama em redes sociais, mas pouco se grita, pouco se picha, pouco se vai atrás dos direitos. Exemplo disso? Onde anda o Feliciano?? Será que o povo exigindo pra valer, algo não aconteceria?!

Me envergonho de saber que também faço parte da parcela que muito discute mas nada faz, além de expor sua opinião em redes sociais. Queria que os tempos mudassem, que as pessoas fossem mais humanas, menos individualistas e que voltassem a lutar por um todo, sem interesses políticos e sim coletivo, cultural, realmente social. Queria ter um coletivo que eu pudesse acompanhar e gritar junto, sede de justiça, sede de manifestação, sede de um lugar melhor para viver.

moi.

11 jun

Me arranque suspiros, sorrisos, gritos; me arranque a roupa.
Me tire do sério, da zona de conforto; me tire de casa, me leve pra cama.
Me deixe intrigada, irritada, cheia de dúvidas.
Me mostre o que eu não sei, questione os meus conceitos; me mostre os meus medos.
Me faça gargalhar, berrar, te desejar, te odiar.
Me lembre o que é o amor, a dor, o querer, a saudade e o perder.
Me faça querer fugir, querer voltar, querer só você.

Sobre romances

10 jun

Essa semana é dia dos namorados. Grandes bosta, penso eu! Não porque eu não tenho namorado, pois sempre pensei isso, mas porque é a data mais forçada da face da terra! As pessoas se desesperam para arranjarem alguém até o dia 12 de junho só para terem cia nesse dia.
Sem falar, claro, dos restaurantes lotados, da obrigação de compra de presentes e dos moteis com fila.
Desculpem-me os apaixonados, mas odeio o dia dos namorados, acho brega presentes escrito “eu te amo” e coisas do gênero e acho pior ainda ficar na fila do motel para transar por “obrigação” devido a uma data.

Enfim, apesar de tudo isso, adoro um bom romance, e nem tô me referindo a um tipo de literatura, ou a conto de fadas imaginários. Tô falando daquele tipo de relacionamento leve, gostoso, que te faz sorrir ao acordar ao lado da pessoa, sem nenhum motivo aparente, pelo simples fato dela estar ali. Aquele romance em que não há declarações de amor exageradas, nem demonstrações de afeto via redes sociais, mas um belo jantar com vinho em plena segunda-feira, um cinema na terça e quarta-feira jogados no sofá assistindo seriado e comendo cachorro-quente. Aquele romance bobo, de andar de mãos dadas, deitar no parque para ler, comer chocolate e fazer nada.
Momentos juntos, que são perfeitos, que sabemos que valem ser guardados para eternidade no coração, mas ao mesmo tempo aquela liberdade gostosa de ir e saber que pode voltar, tranquilamente, que nada vai mudar, que o se afastar por um final de semana não é uma separação, é o respirar sozinho apenas e que no domingo a noite, antes mesmo do final do Faustão, estaremos dividindo aquele mesmo sofá da quarta feira, assistindo a repise daquele mesmo seriado e deliciando um saboroso vinho, com uma comidinha feita com aquela preguicinha de domingo mas com gostinho de caseira.

Aqueles romances que não são de cinema, mas que são tranquilos, que não há brigas e cobranças, que um entende o outro com o olhar e o sorriso. É a segurança em saber que posso te ligar porque fiquei doente e quero tua cia, um chazinho feito com o teu amor, mas, que também posso te mandar mil mensagens naquele dia que não íamos nos ver, pois eu ia sair com minhas amigas, mas cheguei em casa bebinha, com vontade de dormir nos teus braços. Saber que vais responder, e vir correndo me aquecer.

Da mesma forma como tu podes bater às três horas da manhã bêbado na porta da minha casa dizendo que esqueceu do caminho da tua, com aquele sorriso de sem vergonha e de saudade.

Ahh, esses romances em que não temos tempo de brigar, apenas de amar e amar. Que só lembramos de sorrir e sermos felizes. Em que não há mal tempo.
Ahh, esses romances que parecem um sonho, mas são muito reais.
Que começam e terminam sem notarmos, que vivemos intensamente, nos apaixonamos profundamente, mas que dura tanto quanto um belo suspiro.

Esses, são os romances que acredito que valem a pena, pela intensidade, profundidade, pela delicia que é viver isso ao lado de alguém.

Portanto, não desejo amores eternos, desejo mais amor, mais paixão, mais romances com suspiros e sorrisos. Muito mais suspiros, por favor.

 

Mil acasos me levam a você

2 jun

Assistindo ao filme “My Blueberry Nights” não consegui evitar pensar em milhões de coisas, lembranças boas me vieram a mente, assim como muita saudade dessas coisas que passaram. Disso tudo, lembrei da música do Skank “Mil Acasos me levam a você…. e bla bla bla”.
O acaso só nos leva a quem queremos encontrar, a quem não queremos esquecer, não queremos deixar pra lá.

Enfim, voltando ao filme, a Elisabeth, personagem da Norah Jones fala duas coisas que achei sensacional, a primeira delas foi sobre dar tchau, de o que deve ser dito quando nos despedimos de alguém e que às vezes é melhor ir embora sem dizer nada. E a segunda é sobre ter algo maior para seguir em frente, de ter algo que simbolize a ficha branca (aquela que os alcoólatras ganham nas reuniões do AA).
Não sou boa com despedidas, apesar de no último ano ter dado tantos “adeus”. Chega uma hora que cansa, que dói. Acho que é a única coisa que nunca vou me acostumar, com “good-byes”; os odeio mais do que qualquer coisa. Sempre finjo que não me importo, mas quase morro por dentro. Gosto da ideia das fichas brancas, mas não sei usá-las. Tem vezes que penso que eu deveria fazer como a Elisabeth, atravessar o país e dai sim, vou voltar ok. Pronta pra tudo de novo. Infelizmente a vida não é um filme e não terei um Jerry (Jude Law) me esperando com torta de blueberry com sorvete e café. Aie, quem dera. Seria tão mais simples se no mundo houvessem mais Jerrys.
É engraçado pensar nisso tudo. Acho que é porque o meu aniversário tá ai, batendo na porta, que eu começo a pensar no que fiz no último ano e só consigo lembrar os adeus que dei. Que no meu próximo ano não tenha tanta despedida, tanta partida. Sei que faz parte da vida as coisas acabarem, as pessoas partirem, mas chega disso. Quero mais acasos, casos e sorrisos, mais chegadas que partidas e se não for pedir muito, um Jerry no meio disso tudo.